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8.30.2007

É notícia...

No DN de hoje:

Fatos para homens aranhas

Um fato colorido que permite ao super-herói segurar-se a superfícies vidradas e escalar arranha-céus. Até agora, isto era matéria para banda desenhada e cinema. Apenas com efeitos especiais se podia ver um pesado humano a imitar movimentos que, na natureza, são exclusivos das aranhas e de pequenos répteis chamados gecos (a cuja família pertencem as osgas), que podem sustentar centenas de vezes o seu peso.

Mas, no futuro, os cientistas esperam conseguir transformar a ficção em realidade. Um engenheiro e físico da Universidade de Turim, Nicola Pugno, publicou um estudo com cálcu- los sobre as forças adesivas que seriam necessárias para suspender no tecto certos pesos, incluindo o de uma pessoa. A teoria baseia-se em conhecimentos recentes sobre a forma como os gecos se mantêm suspensos, usando as estruturas das patas, com milhares de milhões de cabelos microscópicos que aproveitam as forças de Van der Waals, estas relativas a pequena atracção entre moléculas.

Segundo Pugno, é possível conceber nanotecnologia que permitirá criar ganchos microscópicos capazes de se agarrarem a qualquer superfície. A dificuldade será a de construir luvas e fatos com milhares de milhões destas nanoestruturas. O teórico sustenta que será fácil, para o utilizador, soltar-se da parede, apenas deslocando a posição da luva. Apesar de tudo, os humanos terão limitações musculares.

As potenciais utilizações do fato do homem-aranha são vastas, incluindo aplicações militares e espaciais. Será possível trabalhar em condições climáticas difíceis, em vidro molhado, por exemplo, ou debaixo de água. Tal como no cinema, o limite parece ser o da imaginação. E, acima de tudo, espera-se que fatos e luvas venham com cores mais sóbrias do que nas histórias inventadas.

8.15.2007

O futuro é hoje

Na edição de hoje do DN:


Pilha revolucionária é simples folha de papel
Investigadores norte-americanos criaram uma nova pilha eléctrica capaz de funcionar com sangue ou suor humanos. A pilha assemelha-se a uma simples folha de papel negro, apresentando um importante potencial de aplicações, quer no campo da medicina quer nos transportes e na indústria.

Recorrendo à nanotecnologia, os investigadores do Rensselaer Polytechnic Institute, em Nova Iorque, produziram uma estrutura molecular composta, formada de 90% de celulose e 10% de nanotubos de carbono que funcionam como eléctrodos que permitem a passagem de corrente. A nova pilha é ultraleve, extremamente fina e totalmente flexível.

Outra das características revolucionárias é que a pilha pode funcionar a temperaturas entre os 73 graus centígrados negativos e os 148,9 positivos, uma vez que utiliza como electrólito um líquido ionizado conseguido a partir do sal.

Para além de poder ser impressa como se de papel se tratasse, pode funcionar como uma pilha vulgar de lítio ou como supercondensador que armazena electricidade e ser cortada em várias partes sem perder as suas propriedades ou capacidades técnicas.

"A pilha é sobretudo um pedaço de papel vulgar no qual a estrutura molecular foi reorganizada", sublinha Robert Linhardt, um dos autores do trabalho, publicado nos Anais da Academia Nacional Americana de Ciência (PNAS) no passado dia 13 de Agosto.

A pilha pode ser enrolada, curvada ou partida em vários pedaços sem perder as suas propriedades ou capacidades técnicas. É igualmente possível juntar várias pilhas umas sobre as outras a fim de potenciar as suas capacidades.

A nova pilha é também muito ecológica, já que é quase totalmente biodegradável e não contém nenhuma substância química tóxica. Pode ser igualmente usada como fonte de energia eléctrica para equipamentos implantados no corpo humano, tais como "pacemakers" ou desfibrilhadores.

Os investigadores do Rensselaer Institute - o mais antigo dos Estados Unidos na área de investigação tecnológica - imprimiram estas pilhas como se fossem folhas de papel e demonstraram que elas podem utilizar electrólitos naturais como o suor, a urina ou o sangue humano, de forma a serem activadas e produzirem electricidade. Poderá também ser usada em veículos de transporte.

4.14.2007

Novos materiais@PT

Do Monte da Caparica para a LG, a Hewlett-Packard, a Fiat e a Samsung: o trabalho de cientistas portugueses da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa vai possibilitar em poucos anos que deixe de haver painé is de instrumentos nos automóveis e que passemos a trazer connosco computadores cujos ecrãs podemos enrolar e meter no nosso bolso.
Uma equipa de investigadores da Nova está a desenvolver projectos que num futuro próximo serão aplicados em produtos de várias multinacionais. Na base dos contractos celebrados com estas empresas está a tecnologia que a directora do Departamento de Ciência dos Materiais (CENIMAT), Elvira Fortunato, classifica como um "ovo de Colombo": transformar o óxido de zinco num semi-condutor activo.
A técnica é simples. Colocam-se LED (Light Emitting Diode, tecnologia de iluminação que é usada em quase todos os produtos eléctricos e electrónicos, desde a luzinha standby do seu televisor até aos sinais de trânsito) num vidro normal ou num simples material plástico como os que se utilizam nas garrafas de refrigerantes. A inclusão de uma fina camada de óxido de zinco sobre os materiais permite a conductibilidade, evitando-se assim perder a transparência.
Depois de Elvira Fortunato ter começado a publicar os resultados da investigação em revistas científicas, surgiram as empresas interessadas. A Samsung foi a primeira. Depois vieram a LG, a HP e a Fiat.
A Fiat percebeu que a tecnologia podia ser aplicada no pára-brisas dos seus carros. Assim, em vez dos actuais painéis de instrumentos, os vidros dos carros passam a ser também mostradores para os indicadores de velocidade, conta-rotações, gasolina, etc.
A Samsung e a LG perceberam que poderiam produzir LCD com a espessura de uma folha de acetato. A HP viu na tecnologia uma aplicação final para e-paper. Todas assinaram contratos com a Faculdade no valor de meio milhão de euros para, segundo Rodrigo Martins, professor da FCT e director do CEMOP (Center of Excellence in Microelectronics Optoelectronics and Processes), "fazer o desenvolvimento da investigação, transferir as condições da tecnologia para as empresas até à linha de produção".
Não deverá levar muito até que esta "revolução", tal como lhe chama Rodrigo Martins, chegue aos nossos computadores e carros. A título de exemplo, o contrato com a Fiat foi assinado em Setembro, e não ultrapassará os quatro anos de desenvolvimento.
A investigação realizada pelos investigadores da FCT não é totalmente original. O princípio foi desenvolvido ao mesmo tempo em Tóquio, por Hideo Hosono, que vendeu a ideia à Canon e nos EUA por David Paine, que vendeu o seu trabalho à HP.
A mais valia dos portugueses está no facto de conseguirem reproduzir o processo à temperatura ambiente. "As outras experiências só o conseguiram fazer a temperaturas elevadíssimas. Como nós o fizemos à temperatura ambiente, podemos aplicá-lo ao plástico normal, que derrete a temperaturas elevadas. A vantagem está no facto de a transposição para a produção se tornar rápida e barata", explica Rodrigo Martins.