1.02.2007

Hoje no diário As Beiras - Jardim Botânico da Universidade de Coimbra

Um jardim com história


Fundado em 1772 pelo Marquês de Pombal, o Jardim Botânico da Universidade de Coimbra é um dos espaços verdes mais extraordinários da cidade, mas é também aquele que mais desconhecido se mantém para grande parte dos seus habitantes.
Criado no âmbito do Museu de História Natural, anteriormente já tinha sido pensado estabelecer em Coimbra um Jardim Botânico, tendo o primeiro projecto a autoria de Jacob de Castro Sarmento, em 1731, baseando-se no pequeno Jardim do Chelsea Physic Garden, em Londres.
Em 1772, o local escolhido pelo reitor da Universidade de Coimbra (Francisco de Lemos) para o então chamado "Horto Botânico" compreendia parte da quinta pertencente ao Colégio de S. Bento. O Marquês designou, em 1773, o coronel engenheiro William Elsden para preparar o projecto final, juntamente com o reitor e os professores italianos de História Natural, Domingos Vandelli e Dalla Bella. O projecto de Castro Sarmento foi considerado muito modesto por aqueles professores que decidiram ampliá-lo, mas de tal modo o tornaram grandioso e dispendioso que o Marquês o rejeitou.
Deste modo, os trabalhos tiveram início por volta de 1774, respeitando projectos mais modestos. Vieram, então, plantas do Jardim do Palácio da Ajuda, em Lisboa, por mar e ao longo do rio Mondego, ao cuidado de João Rodrigues Vilar, que veio a ser o primeiro jardineiro do novo estabelecimento. De início, a orientação botânica do jardim foi da responsabilidade de Domingos Vandelli, função assumida, a partir de 1791, por Félix Avelar Brotero, professor de Botânica e Agricultura. O ilustre botânico ampliou o jardim, providenciando para a aquisição de mais algum terreno da quinta dos Padres Marianos (1809).
Entre 1814 a 1821 fizeram-se as terraplanagens entre a rua central e a superior, bem como o muro e o respectivo gradeamento, feito com ferro proveniente de Estocolmo, expressamente para esse efeito. Em 1882 foi construído o portão do lado Sul ("Entrada das Ursulinas"), junto ao Seminário. O portão principal concluiu-se em 1884, segundo desenho que se encontra arquivado no Museu Machado de Castro.
Entre 1854 e 1867 foram acrescentados os lanços de escadas do lado sul e as pilastras e grades de todos os terraços do jardim. Finalmente, no mesmo período, o Jardim Botânico foi ainda enriquecido com a instalação da Estufa Grande que, segundo projecto do engenheiro Pezarat, foi construída no Instituto Industrial de Lisboa e na Fundição de Massarelos do Porto.
Em 1873 Júlio Henriques é nomeado lente. Sob a sua orientação, intensificaram-se as permutas de plantas e sementes com os principais jardins de Portugal, Açores e Europa e de outras partes do mundo, particularmente da Austrália. Por curiosidade, refira-se que aquele professor conseguiu do Jardim Botânico de Buitenzorg, em Java, sementes de espécies do género Cinchona, de cuja casca se extrai o quinino, para combater o paludismo que nessa época, em Portugal e nos territórios ultramarinos, dizimava populações.

Ouri ou Oril ou Uril, ...

Um site com muita informação.

LOL - The Darwin Awards


12.29.2006

Levitação magnética a baixas temperaturas

Nestes dias de Inverno...

Numa altura em que o mercúrio dos termómetros não quer subir muito e o vento tende a soprar, ficam aqui duas sugestões:

Conforto térmico - Windchill

É a sensação de arrefecimento causada pelo efeito conjunto da velocidade do vento com valores baixos da temperatura do ar. Qualquer pessoa que tenha feito um passeio durante um dia com temperaturas relativamente baixas, reparou que sente mais frio se houver vento do que senão houver. (...)

Convecção

Uma das formas de transferência de calor é a convecção. A transferência de calor estudada nesta experiência é a de convecção forçada, que se dá por diferença de densidade. Devido a uma diferença de densidade entre vários conjuntos de partículas, vai existir uma certa trajectória bem definida de deslocação de moléculas. (...)

Uma notícia a comprovar o que todos nós sabemos :(

Alterações climáticas
Árctico: massa de gelo com 66 quilómetros desprende-se e forma nova ilha do Pólo Norte
29.12.2006 - 15h36 AP


Uma massa de gelo gigante com 66 quilómetros desprendeu-se há 16 meses da zona costeira da ilha de Ellesmere, no Árctico canadiano, e transformou-se numa nova ilha do Pólo Norte. Os cientistas apontam o dedo às alterações climáticas e ao sobre-aquecimento global.

Warwick Vincent, da Universidade de Laval, viajou até à nova ilha e confessa ter ficado espantado com o que viu.

“Isto é algo dramático e preocupante. Mostra que estamos a perder características únicas do Norte canadiano, que existem há muitas centenas de anos”, comentou Vincent. “Estamos a ultrapassar fronteiras climáticas e isto pode ser um sinal das alterações que ainda estão para vir”.

Esta massa de gelo era uma das seis maiores do Árctico canadiano, com gelo com mais de três mil anos, e flutuam no mar mas estão ligadas à terra.

Alterações climáticas estarão na base da nova ilha

Este fenómeno “é consistente com as alterações climáticas”, disse Vincent, lembrando que as restantes massas de gelo estão hoje 90 por cento mais pequenas do que quando foram descobertas, em 1906. “Ainda não conseguimos ter o cenário completo... mas temperaturas invulgarmente quentes tiveram, definitivamente, um papel determinante”.

Laurie Weir monitoriza as condições do gelo no Canadian Ice Service. No ano passado, quando passava em revista as imagens de satélite detectou que a massa de gelo Ayles se tinha quebrado e separado.

Weir contactou Luke Copland, da Universidade de Otava, que, utilizando imagens de satélite e informações sísmicas, chegou à conclusão de que a massa de gelo se desprendeu ao início da tarde de 13 de Agosto de 2005.

Copland ficou surpreendido com a rapidez com que as alterações climáticas afectaram as massas de gelo. “Ainda há dez anos, os cientistas assumiram que quando as alterações climáticas começassem a fazer-se sentir, isso aconteceria gradualmente. Esperávamos que as massas de gelo se iriam derretendo lentamente”, acrescentou.

A comunidade científica receia agora que, com as temperaturas mais quentes da Primavera, a nova ilha se desloque no mar e cause transtorno para os navios.

“Nos próximos anos, esta nova ilha de gelo poderá entrar em rotas de navegação comerciais”, alertou Weir.

In Público